Reciprocidade à vista? O governo brasileiro deu o primeiro passo formal para acionar a Lei de Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025) em resposta às tarifas unilaterais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que chegam a 37,5% em alguns casos, sob a Seção 301. O Itamaraty já notificou as autoridades americanas e solicitou o início de consultas diplomáticas. A lei, aprovada pelo Congresso em 2025, autoriza o Brasil a adotar medidas proporcionais diante de barreiras comerciais consideradas injustas ou discriminatórias. Por enquanto, não há retaliação concreta: o processo ainda atravessa análise técnica na Camex, elaborações de relatórios e consultas. A prioridade oficial continua sendo a negociação, com a possibilidade de contramedidas apenas se o diálogo fracassar. Essa cautela é compreensível. Uma guerra tarifária com o maior mercado do mundo raramente favorece o lado mais fraco. No entanto, a demora em chegar a este ponto revela um problema maior. O Brasil teve meses desde os primeiros sinais de hostilidade comercial e as investigações do USTR para intensificar a diplomacia, construir coalizões e apresentar alternativas mais robustas. Em vez disso, a reação veio reativa e protocolar. Agora se colhem os frutos de uma postura excessivamente passiva, que privilegiou declarações de princípio em detrimento de uma estratégia antecipada e coordenada. O risco não é apenas a inércia passada. É que, ao acionar o mecanismo sem um plano claro de desescalada ou de diversificação acelerada de mercados, o governo pode agravar o quadro: elevar custos internos, alimentar inflação em setores sensíveis e transformar uma disputa comercial em atrito político mais amplo, especialmente em ano eleitoral. Reciprocidade é instrumento que pode agravar a situação. Usá-la como substituto de diplomacia efetiva, porém, é apostar alto demais e pode dar muito errado. #Brasil #EUA #economia
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